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Cover, autoral ou intérprete ?
Eis a questão


Escolha para iniciar na carreira independente pode interferir no futuro do artista

(09/08/2018)

Muitos artistas independentes ao iniciarem uma carreira ficam diante de uma dúvida cruel que muitas vezes passa desapercebido pelos que estão de fora, mas que pode ser fundamental para o seu sucesso: viver de música cover, autoral ou simplesmente só interpretar ?! Pois é, isso pode ser determinante nesse segmento alternativo. Dependendo do que for pensado, a carreira do artista pode ficar marcada pra sempre com determinado rótulo que o mercado impõe. Por conta disso recomendo, mais do que nunca, unir o útil ao agradável para que você comece nessa profissão com variedades. Quero dizer que não existe um artista pronto ou pré-fabricado. Existe sim um artista que tem que se adaptar ao que o mercado impõe. Dessa forma, a melhor saída é você ser um profissional polivalente e saber a dosagem certa pra cada etapa de sua vida.

Ser apenas um artista cover, por exemplo, pode te marcar pra sempre. É natural para quem está começando se comparar com seus ídolos e tentar imitá-los. Você se sente o próprio artista e isso lhe dá uma segurança para seguir nesse meio. Depois disso se unir a outros amigos, a fim de criar uma banda cover é um pulo. A certeza de sucesso nesse momento é tamanha. Muitos bares, clubes e casas de shows preferem esse tipo de banda, já que o público interage mais facilmente devido ao conhecimento das músicas. Isso vai gerando uma empolgação em você e até mesmo uma acomodação. No futuro, quando resolver mudar o estilo de carreira, vai se sentir um estranho no ninho. Isso sem falar que a concorrência nesse segmento é desleal. Há muitas bandas cover que tocam por hobby ou pela adrenalina de subir no palco e não fazem questão de cachê e sim de fama. Nesse caso, você vai sempre precisar se reiventar passando a usar figurinos, instrumentos e até cabelos e maquiagens do artista ou banda original. Sentiu, né?

Em relação à musica autoral ela não é a melhor maneira pra você introduzir um trabalho. Deve ser colocada em doses homeopáticas, a medida que você for ganhando um espaço maior em casas noturnas e seu trabalho começar a ficar incorpado. A música própria requer muito mais dedicação durante a sua carreira. Até porque você está tocando algo que ninguém conhece e geralmente a pessoa nem faz questão de conhecer, pois ela quer ouvir a música que está processada na mente através de hits ou refrões chiclete. Além do mais faltam palcos e público ao iniciante. E se você já quiser fazer seu nome com suas músicas a tendência é você ficar pra trás. Espere o momento certo pra colocar suas composições. Construa primeiro sua marca. Inclusive dou o maior apoio para que um artista cante suas próprias letras. Compor é uma bela arte e que pode lhe render frutos futuros pra sustentar sua carreira seja via direitos autorais, venda de canções ou shows ou cessão de seus direitos à algum intérprete mais famoso.

E por falar no intérprete, vamos finalizar com a figura dele.  Trata-se um talento da música que empresta seu brilho fazendo versões e arranjos próprios para canções dos outros. Esse profissional, para desempenhar essa função, tem que ser muito afinado e acima de tudo carismático. Se você possui esses atributos ao pegar seu violão e interpretar canções de outros artistas de uma forma muito espontânea, está no caminho certo. Mas é o que eu digo: o artista iniciante precisa fazer um mix de funções pra ter sua carreira alavancada. Comece interpretando outros artistas através de seu talento nato, foque em alguns momentos no seu maior ídolo e tente imitá-lo para obter o apoio do público. Quando seu cartaz já estiver feito procure lançar suas músicas aos poucos até poder produzir um CD autoral e vendê-lo durante suas apresentações ou redes sociais. Sua carreira começa aí, meu amigo. Avante e boa sorte !


Marcus Vinicius Jacobson

Jornalista e diretor do MVHP - Portal de Cifras
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